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Setembro Amarelo nas escolas e o combate à depressão: uma história inspiradora


Chegou aquele momento do ano em que vestimos a coragem como uma capa amarela e nos unimos para enfrentar um dos desafios mais sérios da nossa sociedade: a depressão e o suicídio.

Em 2013, Antônio Geraldo da Silva, presidente da ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), teve uma ideia que ressoou em todo o Brasil. Ele trouxe para as nossas vidas o Setembro Amarelo, uma campanha internacional que ganhou um espaço oficial no nosso calendário.

O Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio é oficialmente em 10 de setembro, mas a ação está acontecendo o tempo todo. O Setembro Amarelo se transformou na maior campanha antiestigma do mundo! De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2019, mais de 700 mil vidas foram perdidas para o suicídio. E olha, isso é apenas a ponta do iceberg, considerando que muitos casos não são reportados. Acredita-se que o número real possa passar de 1 milhão de casos. No Brasil, a situação é igualmente séria, com cerca de 14 mil casos de suicídio registrados a cada ano. Isso significa que, em média, 38 pessoas decidem encarar a escuridão todos os dias. É um problema que não podemos mais ignorar e precisamos agir, e agir rápido.

Setembro Amarelo nas escolas não é apenas uma campanha, é uma declaração de que somos uma rede de apoio, de que estamos dispostos a ouvir, a estender a mão e a espalhar a conscientização como uma corrente poderosa.

A jornada de um educador vai muito além das quatro paredes de uma sala de aula, abraçando as histórias individuais e as aspirações únicas de seus alunos. Pensando nessa situação latente entre os jovens, o Edify convidou Almir Vicentini, professor e pesquisador em suicidologia para expor sua opinião e experiência com o tema. Mergulharemos na inspiradora experiência desse educador, cujo compromisso em compreender e apoiar seus alunos o levou a repensar radicalmente sua abordagem à educação. Da busca pela compreensão emocional à transformação pedagógica, essa entrevista nos oferece insights profundos sobre como a empatia e a flexibilidade podem desempenhar um papel fundamental na criação de um ambiente de aprendizado verdadeiramente enriquecedor.

Paralamas do Sucesso e Setembro Amarelo nas escolas: o insight

Almir Vicentini conta que durante sua trajetória como educador, a preocupação abrangeu tudo o que extrapolava os limites da sala de aula. Sua formação acadêmica inicial foi como físico teórico, e ao iniciar sua carreira docente, sentiu-se confiante e inspirado. No entanto, deparou-se com um desafio notável: seus alunos enfrentavam enormes dificuldades para compreender a física e suas teorias, que ele tanto amava. Determinado a fazer a diferença, buscou novas abordagens, ferramentas e explorou possibilidades que um educador dedicado sempre busca.

Foi nesse ponto que um insight transformador surgiu. Alguns alunos, aqueles que não compartilhavam sua paixão pelos cálculos, manifestaram tédio nas aulas. Eles expressaram desejos de se tornarem músicos, artistas, cozinheiros — anseios que diferiam das tradicionais carreiras da chamada “Santíssima Trindade”: Direito, Medicina e Engenharia. Em vez de ignorar essas vozes, concentrou-se nesses jovens e ouviu atentamente suas experiências.

Ouvindo relatos de muitos alunos, ficou claro que muitos enfrentavam resistência por parte de suas famílias ou outras influências que insistiam nas carreiras mais convencionais. Essa falta de espaço para diálogo na família estava causando sofrimento emocional. Sensibilizado por essas histórias, iniciou conversas amigáveis e empáticas com os alunos. Queria entender o que estava por trás desse sofrimento que os afetava tão profundamente.

No meio de sua jornada, enquanto dirigia seu carro e ouvia rádio, uma frase da música dos Paralamas do Sucesso (“Tendo a Lua“) atingiu-o profundamente: “O céu de Ícaro tem mais poesia do que o de Galileu”. Essas palavras se tornaram um ponto de virada, uma revelação que transcendeu o tempo e o espaço. Essa frase encapsulou a ideia de que a busca pela criatividade, pela paixão, pela individualidade, muitas vezes se mostra tão enriquecedora e inspiradora quanto as mais complexas teorias científicas.

Ao incorporar essa perspectiva, o educador encontrou uma maneira de abraçar a diversidade de aspirações de seus alunos. Ele transformou sua abordagem pedagógica, adaptando-a para se conectar às paixões únicas de cada aluno. Não apenas estava ensinando física, mas também estava fornecendo uma plataforma para que os jovens explorassem suas próprias paixões e ideias.

Essa jornada de autodescoberta e empatia não apenas transformou o educador, mas também impactou a vida de seus alunos. Ele se tornou um exemplo de como a educação pode ser uma via de mão dupla, onde professores e alunos crescem juntos, aprendendo não apenas fatos e teorias, mas também lições valiosas sobre compreensão, aceitação e a importância de permitir que as aspirações individuais brilhem.

Desenvolvimento Docente para a Inclusão e Diversidade

Como posso ser Galileu se existem tantos Ícaros à minha volta?

Um impulso irresistível despertou nele o desejo de explorar as competências socioemocionais e compreender sua profunda relevância na jornada de cada indivíduo. As emoções podem não ser controláveis, mas a maneira como respondemos a elas está ao nosso alcance.

Se seu objetivo era realmente auxiliar esses alunos, ele sabia que precisava transcender o papel de discípulo de Galileu, aquele que venera e assimila conhecimento, para assumir o manto de apóstolo de Ícaro, aquele que compreende os sonhos de cada indivíduo e luta para que se realizem. Desde aquele momento, ele foi confrontado por histórias de abandono emocional, restrições sociais sufocantes, pressões acadêmicas avassaladoras, famílias desgastadas pela falta de diálogo e o desespero gerado pela sensação de vazio existencial.

A juventude contemporânea parece ter perdido a fé em um mundo permeado por amor, respeito e conexão genuína, sendo cobrada por normas que muitas vezes não estão preparados para atender. O mal que assola o século, em sua perspectiva, não é apenas a depressão, mas a solidão. Uma solidão que paradoxalmente coexiste com uma excessiva presença virtual de “likes”, “seguidores” e “influenciadores”, que não estão presentes nos momentos de angústia e dúvida.

Observou, com pesar, muitos jovens recorrendo à automutilação, em uma busca desesperada por sensações reais em um mundo que parece estar se desvanecendo. Este é o limiar perigoso que antecede a idealização suicida, ceifando vidas jovens entre os 14 e 25 anos, justamente em um período que deveria ser de descoberta e encantamento pela vida. Não há tempo a perder.

Sua amiga Dra. Karina Okajima proclama de maneira enigmática: “SE HÁ VIDA, HÁ SOLUÇÃO!” A vida segue além de cada problema; novos desafios surgirão e serão superados. O suicídio não é a resposta inapelável para problemas transitórios.

Convidamos você a assistir ao vídeo, a refletir e a abraçar a convicção de que a vida é dotada de significado. A beleza está entrelaçada nela, e você pode ser um testemunho de nossa capacidade de encontrar felicidade, independentemente das circunstâncias.

Se você está lutando, sua dor é autêntica e singular. Ninguém mais pode vivenciar seus desafios, mas muitos estão dispostos a auxiliá-lo. Um apelo é feito a todos: quando testemunharem a vulnerabilidade de alguém, abstenham-se de julgar, criticar ou minimizar sua dor. Cada um sabe o peso da própria aflição.

O acolhimento é a arma mais poderosa para prevenir o pior desfecho: a decisão de interromper a vida. Nascer não é uma escolha, é um acontecimento. A morte é inescapável, mas a decisão de antecipá-la é pessoal. Acredite na possibilidade de redescobrir a vida e na certeza de que cada desafio vale a pena. Ver seu próprio sorriso refletido no espelho é um anseio que ecoa por toda a eternidade.

Por isso, permita que setembro seja um mês de profunda contemplação sobre o tema do suicídio. A cor “amarela” deve transcender suas fronteiras temporais, tornando-se uma constante em nossas vidas. Essa campanha merece ecoar por bem mais que trinta dias.

Uma Jornada de Empatia e Transformação Educacional

À medida que o Setembro Amarelo nas escolas se desdobra diante de nós, que possamos agarrar firmemente a lição desse educador apaixonado, que transformou sua abordagem para abraçar as aspirações individuais de seus alunos. Que a solidão ceda diante do calor da empatia, e que a busca por sentido e conexão prevaleça sobre as incertezas. Este é um chamado para todos nós: um convite para estender a mão, ouvir atentamente e lembrar que, juntos, somos capazes de criar um ambiente onde a esperança floresce e as almas encontram um refúgio seguro.

Que o mês “amarelo” seja uma lembrança constante de que cada vida importa, que cada história é preciosa e que a jornada para a luz começa com um passo corajoso em direção ao outro.

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Edify Education

O Edify Education está presente em centenas de escolas em todo o Brasil. Com a missão de proporcionar uma educação bilíngue de alta qualidade para todos, nascemos para promover evoluções reais, que refletem no protagonismo de cada aluno na própria jornada de aprendizagem. Nossas soluções nos levou a ganhar vários prêmios, como o 3° lugar no prêmio de votação popular Top Educação 2021 e o 1º lugar no ELTons Innovation Awards.

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