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Neuroeducação: o que é? Conheça os benefícios e aplicações!

Com os estudos recentes nas áreas de neuroimagem, conhecimentos mais amplos das estruturas cerebrais relacionadas à aprendizagem começaram a ser divulgados, frente a isso, a sala de aula ganhou uma nova dimensão como área de investigação do processo de aprendizagem, surgindo a neuroeducação.

Aprender,  portanto, é um processo que não se limita à absorção de conteúdo, mas envolve uma rede múltipla de ações neurofisiológicas e neuropsicológicas, bem como a influência do meio em que o estudante está inserido.

Qual o objetivo da Neuroeducação?

Seu objetivo é mostrar como o cérebro e o processo educacional estão interligados, ajudando os professores a entender como as informações são processadas e o modo como o ser humano absorve e aprende determinados assuntos.

Aliás, a neuroeducação também se vale de outras três áreas de conhecimento para analisar melhor o assunto, assim, os educadores ficam cientes de como as atividades em sala de aula ajudam os alunos a aprender de forma mais eficiente. E para se aprofundar mais nesse tema, sugerimos a leitura do nosso blogpost: Metodologias ativas, BNCC e inovação em sala de aula. Confira depois!

Nesse processo, destaca-se o papel das funções executivas (FE) cerebrais, que auxiliam o indivíduo a organizar, iniciar, coordenar o seu comportamento e desenvolver uma atividade com um objetivo final determinado, contando com o auxílio do professor.

Usando uma imagem metafórica, podemos dizer que, assim como os aeroportos precisam de um eficiente sistema de controle de tráfego aéreo para organizar com segurança as chegadas e partidas das aeronaves. O aluno precisa que os professores atuem de maneira a treinar as FE cerebrais para filtrar distrações, priorizar tarefas, definir e atingir metas e controlar impulsos.

Quais são as três áreas que compõem a Neuroeducação?

A neuroeducação é composta de três áreas: Pedagogia, Psicologia e Neurociência:

  1. Pedagogia: a área da Pedagogia é importante para processos de aprendizagem nas escolas e na educação;
  2. Psicologia: nessa área, é possível ter a contribuição de pesquisas que ajudam nos campos cognitivo e comportamental;
  3. Neurociência: concentra-se no sistema nervoso central para analisar como o ser se comporta em determinadas situações.

Unindo-se essas ciências, é possível trabalhar e entender esse campo interdisciplinar de forma mais eficaz e certeira.

Quais as duas ideias principais da Neuroeducação?

A Neuroeducação tem como base dois principais focos: pesquisar e desenvolver, no campo da educação, ferramentas capazes de corrigir as dificuldades que são vistas na aprendizagem escolar, bem como promover a inclusão social, garantindo à pessoa o máximo de potencial funcional.

Mas quais são os componentes básicos das funções executivas do cérebro?

Antes de tudo, precisamos entender que o termo “executivo” está sendo utilizado como regularizador do comportamento humano. Dessa forma, monitoramento, planejamento, flexibilidade cognitiva, atenção seletiva e memória de trabalho são os constituintes básicos das funções executivas, características primordiais do processo de aprendizagem.

No entanto, as FE demoram a ser desenvolvidas, pois as áreas cerebrais envolvidas estão localizadas no córtex pré-frontal, sendo esta a última área cerebral a amadurecer, uma vez que continua a se desenvolver até o início da vida adulta

Portanto, crianças e adolescentes não estão maduros o suficiente para automonitorar suas ações, necessitando de ajuda para executar diferentes atividades.

Andreia Fernandes, Coordenadora Acadêmica no Edify, falou sobre Neurociência: o desafio do desenvolvimento das funções executivas no pós-pandemia, em uma palestra na Bett Educar 2022. Confira!

As funções executivas e componentes adaptativos

Para que você possa entender melhor o papel das FE, exemplificamos algumas de suas ações: imitar e aprender mediante a observação do comportamento alheio, assim como fazem as crianças, de forma mais intensa, nos primeiros anos de vida:

  • saber liderar e ser criativo;
  • saber se colocar no lugar do outro;
  • ser empático;
  • cumprir regras;
  • escolher como agir em um contexto social específico;
  • usar diferentes ferramentas;
  • desenvolver habilidades comunicativas;
  • liderar grupos;
  • formar coalizões;
  • diferenciar estímulos relevantes e irrelevantes;
  • antecipar e prever as consequências das escolhas.

As FE não formam um bloco único e isolado, mas, sim, trabalham interligadas. Apenas para fins metodológicos, descreveremos as habilidades separadamente. Acompanhe como as funções executivas podem auxiliar os alunos a absorver o conteúdo com excelência.

Planejamento: base para qualquer processo de aprendizagem

A execução de atividades de forma eficaz exige planejamento, sendo esta uma das habilidades das FE. Mediante o planejamento, o indivíduo vai determinar seu plano de ação, ou seja, que decisões serão tomadas, bem como a seleção dos instrumentos e recursos necessários para a conquista das metas estabelecidas.

Diante de uma meta e um plano de ação, devemos monitorar a realização de cada passo e usar as correções necessárias. Dessa forma, ao dar instruções, por exemplo, para a realização de uma determinada atividade, o professor demonstra as etapas que deverão ser seguidas para auxiliar o aluno a planejar o passo a passo da atividade e executá-la de forma eficiente.

Sendo assim, é fundamental que o professor sempre verifique se as instruções foram, de fato, compreendidas pelos alunos.

O monitoramento: elemento primordial no processo de aprendizagem

O monitoramento permite ao indivíduo manter suas ações de acordo com padrões estabelecidos, regular modos de agir, rever e alterar ações. Por exemplo, considerando uma turma com estudantes de 7 a 11 anos, muitas vezes, esses alunos ainda não estão cognitivamente preparados para fazer um automonitoramento de suas ações.

Sendo assim, o feedback dado pelo professor ao aluno, referente a sua produção (tanto escrita como oral), permitirá que desajustes ou erros relacionados à língua-alvo sejam identificados e que oportunidades e mecanismos sejam oferecidos, a fim de que o estudante faça os ajustes necessários e amplie seu potencial de aprendizagem.

Aliás, também é importante que o professor receba feedbacks sobre como aprimorar suas práticas. Entenda mais em: A importância do feedback para o professor.

Flexibilidade cognitiva: aprendendo a lidar com ambientes diversos

Dentro das FE, a flexibilidade cognitiva é a habilidade que permite que o indivíduo mude ou alterne objetivos durante a realização de uma tarefa, de acordo com o que o meio lhe oferece.

Aprender uma língua, por exemplo, demanda criatividade para formulação de um discurso em um idioma que não é o seu, logo, o aluno precisa adaptar-se às exigências, estruturas e diferentes perspectivas dessa nova língua.

A flexibilidade cognitiva também ajuda o aluno na compreensão de expressões idiomáticas, por exemplo, não ficando limitado ao sentido literal da frase, mas tendo acesso ao sentido dito figurado. Sendo assim, o aluno considera diferentes interpretações e tem acesso a uma riqueza de diferentes significados lexicais.

O controle inibitório: aprendendo a lidar com os impulsos

O controle inibitório é outra habilidade das FE que auxilia o indivíduo na obtenção de metas, pois permite o controle da impulsividade e das ações precipitadas e automáticas, ou seja, são inibidas respostas inadequadas ou respostas a estímulos distrativos que impedem o curso efetivo de uma ação.

O uso de jogos em sala de aula auxilia no desenvolvimento do controle inibitório, visto que os participantes precisam respeitar regras e aguardar o momento exato de realizar suas jogadas.

Outro exemplo que pode ajudar nessa compreensão: em uma atividade em que dois alunos precisam criar um diálogo, é necessário que os turnos de fala sejam respeitados, para que ambos tenham a oportunidade de falar.

Dessa forma, o professor precisa ensinar aos alunos técnicas e estratégias de como fazer a tomada de turno. Delimitar o tempo das atividades propostas em sala de aula também auxilia na inibição de comportamentos inapropriados, pois o aluno sabe que precisa realizar a atividade em um tempo preestabelecido.

Atenção seletiva: como lidar com o excesso de informações

A atenção seletiva, outra habilidade das FE, refere-se à capacidade de saber selecionar apenas o que é de fato importante e adequado em determinada situação e não se distrair com os diversos estímulos presentes no ambiente.

Em sala de aula, para que o aluno realize tarefas com sucesso, é necessário que ele saiba selecionar as informações relevantes para a execução da tarefa, ignorando os distraidores. Porém, nem sempre os alunos conseguem fazer uma filtragem das informações e dos pensamentos, necessitando que os professores os ajudem a saber exatamente no que é necessário focar a atenção.

Por exemplo, exercícios de compreensão auditiva exigem um alto grau de atenção seletiva, logo, os educadores precisam fazer atividades preliminares, que preparem o aluno para a tarefa, tais como explicar o significado de algumas palavras e fazer perguntas que ajudem o aluno a focar a atenção no que é relevante, de fato.

Memória de trabalho: como reter informações e executar as tarefas

A memória de trabalho é um sistema que armazena as informações enquanto uma atividade está sendo realizada, retendo a informação temporariamente e eliminando-a em seguida. Enquanto sistema cognitivo, a memória de trabalho desempenha um papel fundamental, servindo de base para o desenvolvimento da aprendizagem.

Na sala de aula, o aluno precisa usar os recursos da memória de trabalho para poder realizar uma série de tarefas, desde as mais simples, como lembrar as instruções para a realização de uma atividade, até as mais complexas, que exigem o armazenamento e o processamento de informações e o controle do progresso na aprendizagem.

Formar frases em inglês, por exemplo, envolve vários subprocessos, tais como acessar o vocabulário necessário armazenado na memória de longo prazo e organizar as informações em uma estrutura frasal conforme as regras da língua. Tais subprocessos são coordenados e executados pela memória de trabalho de seus componentes.

Neuroeducação e o aprendizado de excelência

O sucesso da aprendizagem envolve o estabelecimento de objetivos, planejamento, flexibilidade de pensamento, modificação de estratégias para a execução de atividades, manutenção e manipulação de informações na memória de trabalho, autorregulação e verificação de respostas produzidas, revisão e verificação de tarefas, entre outros.

Verifica-se, desse modo, que a aprendizagem exige a coordenação e integração coerente das múltiplas funções executivas, que ajudarão os alunos a lembrar e seguir instruções, evitar distrações, controlar impulsos, ajustar-se à modificação de regras e persistir no alcance de metas.

Nesse caminhar, os estudos na área de neuroeducação visam a auxiliar professores e demais profissionais da área de educação a ter uma compreensão mais ampla e consistente do processo de aprendizagem.

O que faz um neuroeducador?

Trata-se de uma área nova no mercado, mas um neuroeducador busca analisar e observar o indivíduo em aspectos que podem ser melhorados, fortalecendo ainda mais suas potencialidades para que, assim, ele se desenvolva, construindo um planejamento individual para cada educando.

A sua área de atuação pode se dar em ambientes escolares ou, até mesmo, consultórios clínicos, bem como estar presente em empresas que pretendem ajudar seus funcionários a mudar determinados tipos de comportamento.

Apesar de ser uma área recente, ela tem um grande potencial, tanto no que diz respeito à carreira docente quanto na parte de ajudar no aprimoramento e desenvolvimento do intelecto e das habilidades que, muitas vezes, ficam retraídas, podendo se dar tanto no ambiente escolar ou se desenvolver na fase adulta.

Esperamos que tenha gostado do conteúdo. E que tal saber mais sobre neurociência? Confira: Neurociência e educação: um diálogo possível. Até a próxima!

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