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Copo vazio com dois canudos

Compartilhar e multiplicar boas práticas na educação

Quem nunca ouviu na vida a máxima: “Quem não divide não multiplica”? Eu venho ouvindo essa frase nos mais diversos ambientes por onde passo desde que me conheço por gente. E por mais que sempre ouça as pessoas animadamente concordarem, sempre tive a sensação de que há um ligeiro ar de hesitação velada no olhar da grande maioria. 

Sabe aquela receita de gnocchi que você faz todo orgulhoso aos domingos em casa? E quando te pedem a receita? Você conta todos os ingredientes? Você ensina passo a passo? Ou responde com um jeitinho “Então, eu posso te dar a receita, mas eu vou fazendo e sentindo a massa, não tem uma proporção exata de batata e farinha.”? Será que não tem mesmo? Ou você não quer dividir os louros do sucesso de um prato incrível?

E aquele roteiro maravilhoso da colega de trabalho que há pouco visitou a África do Sul? Aquela que teve a chance de passar por experiências únicas nos santuários dos elefantes órfãos e que visitou vinícolas familiares que mal aparecem no mapa. Será que todos os detalhes foram divididos com você ou ela queria guardar só “para ela” alguns desses momentos inesquecíveis?

Por algum motivo, nós, seres humanos, ainda temos um estranho contentamento em nos sentirmos únicos, especiais; uma pena que não paremos, na grande maioria das vezes, para pensar que poderíamos fazer isso multiplicando nosso conhecimento e nossas experiências com o maior número de pessoas possíveis.

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Compartilhando boas práticas na educação

Na educação não é tão diferente. Falamos muito da importância da capacitação continuada de professores, da presença em congressos e eventos de educação. Mas quantas vezes, de fato, discutimos sobre a importância de dividir boas práticas na educação dentro de nossas escolas? E entre escolas? 

“Mas como assim? Como poderia entregar para a concorrência as minhas melhores práticas de mão beijada?”

Esse comportamento muitas vezes faz com que ideias incríveis sejam guardadas a sete chaves no fundo de um baú enterrado como um tesouro precioso, que com o tempo fica perdido, fazendo com tais preciosidades não sejam mais discutidas ou aprimoradas. Um grande desperdício! 

Como estamos desmistificando esse tabu em nossas escolas? Estamos aproveitando nossos talentos para ministrar palestras para seus colegas? Será que conhecemos todas as habilidades dos nossos profissionais? E aquele curso de música que seu professor de matemática fez nas férias?

E sua professora de literatura que encanta todos os alunos que passam por sua sala com o dom de lhes contar contos medievais usando técnicas infalíveis de storytelling? Eles já tiveram a chance de dividir com os seus colegas suas melhores práticas?

O que quero dizer com isso é que muitas vezes esses profissionais só precisam de um empurrãozinho para começar a dividir e multiplicar os seus conhecimentos, criando uma rede de compartilhamento com um poder imensurável.

Comece dentro de casa: abra inscrições para que os seus professores apresentem seus cases de sucesso para os seus colegas. Em um segundo momento, convide as escolas vizinhas a participar de seus seminários. Depois, proponha aos professores das escolas vizinhas que se inscrevam e apresentem também.

Em um piscar de olhos muitos profissionais serão afetados por uma tsunami de informações preciosas. Me arrisco a dizer que é um caminho sem volta. É muita responsabilidade. De fato é. Mas virar referência em qualquer setor é o que todo mundo deseja, até mesmo nas receitas de gnocchi de domingo.

Benefícios da troca de melhores práticas

E isso se dá porque o conhecimento passa a ser compartilhado e aprimorado. Uma das minhas frases favoritas é “Duas cabeças pensam sempre melhor do que uma.” e, quando falamos em compartilhamento de boas práticas na educação, eu não poderia deixar de pensar nela. 

Imagine que na escola X haja um professor que tenha uma técnica muita legal para fazer com que os alunos interajam entre si de forma organizada e planejada, mas infelizmente tem dificuldade para fazer com que esses alunos usem a língua inglesa da melhor forma. 

Já na escola Y há uma professora referência em encantar os alunos com atividades que os fazem sentir a vontade em produzir quase 100% do tempo em inglês, mas sua sala de aula é uma completa desordem. A união desses dois educadores para compartilharem suas experiências e ideias seria um benefício para todo mundo do ambiente escolar: a escola X, a escola Y, e os principais impactados por essa conexão: os alunos!

Isso acontece por que todos nós temos as nossas limitações, nenhum ser humano é capaz de ser bom em tudo aquilo que faz. Ainda que as oportunidades e possibilidades de ações pedagógicas variem de escola para escola, a troca de experiências é válida para gerar um insight do que pode ser aplicado em sua escola e do que poderia ser adaptado ou visto por outro ângulo. 

Compartilhar as dicas de sucesso não necessariamente guiará a outra pessoa ao sucesso, e vice-versa, mas esse conhecimento se torna combustível para invenções de novas possibilidades.

Grandes organizações entenderam isso e, há algum tempo, adotaram uma gestão horizontal baseadas no conceito “yokoten”, expressão japonesa que defende a prática cotidiana de compartilhar entre todos os setores da companhia soluções para um determinado problema, partindo do princípio de que uma solução comprovada e testada pode ser adaptada para atender áreas diversas de forma mais rápida e eficiente.

E você? Já está pronto para começar a compartilhar suas melhores práticas, suas melhores receitas e os seus roteiros das viagens favoritas?

Autor: Ana Figueiredo


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